Junta de Freguesia de Fajões Junta de Freguesia de Fajões

História

Freguesia de Fajões

Fajões é uma freguesia muito antiga do concelho de Oliveira de Azeméis, com povoamento que remonta à Pré‑História, existindo vestígios de ocupação humana com cerca de 5 000 anos a.C. A sua localização, entre vales férteis e vias naturais de comunicação, favoreceu a presença sucessiva de diferentes povos ao longo dos séculos.

Origens antigas e medievais

A toponímia e os achados arqueológicos indicam a presença de luso‑romanos, godos e árabes no território de Fajões. Uma área conhecida como “mourisca” e referências em crónicas antigas registam confrontos entre cristãos e muçulmanos na região durante a Reconquista.

O documento escrito mais antigo sobre Fajões data de 1068 e refere a “villa fagiones” e a sua igreja dedicada a São Martinho, mostrando que já então existia uma comunidade organizada e cristianizada. Nesse texto, são mencionados proprietários locais de origem nobre, revelando uma freguesia ligada a famílias de fidalgos desde a Idade Média.

Fajões como terra de fidalgos

Nas Inquirições de D. Dinis, em 1288, Fajões é descrita como terra de fidalgos, com quintas honradas pertencentes a famílias de prestígio, como Maria Rodrigues e Martim Dias. Também o lugar de São Mamede surge identificado como terra honrada, reforçando a importância social e económica da freguesia no contexto regional.

Durante séculos, a vida local organizava‑se em torno da agricultura, de pequenas propriedades rurais e da igreja paroquial de São Martinho, que desempenhava um papel central na coesão da comunidade. Esta ligação entre nobreza rural, propriedade da terra e vida religiosa marcou profundamente a identidade histórica de Fajões.

Foral, senhorios e enquadramento administrativo

Fajões beneficiou do foral concedido por D. Manuel I às Terras da Feira, em 10 de fevereiro de 1514, integrando‑se nesse espaço administrativo e fiscal. A freguesia pertenceu ao antigo Condado da Feira até 1700, passando depois para a Casa e Estado do Infantado, ligada à família real.

Em termos eclesiásticos, Fajões esteve inicialmente integrada na diocese de Coimbra, mas, após a bula “Provisionis Nostrae” do Papa Inocêncio IV, em 1253, passou a pertencer de forma estável à diocese do Porto. Esta mudança consolidou a ligação religiosa e institucional da freguesia à região do Douro Litoral.

Integração em Oliveira de Azeméis

Com a criação da vila e concelho de Oliveira de Azeméis, por D. Maria I, em 5 de janeiro de 1779, Fajões deixou de pertencer ao concelho da Feira e foi integrada no novo município. Esta alteração aproximou a freguesia do centro administrativo que ainda hoje a enquadra, reforçando os laços económicos e sociais com o restante concelho.

Ao longo dos séculos XIX e XX, Fajões acompanhou as grandes transformações políticas nacionais, desde o liberalismo até à implantação da República, mantendo sempre um carácter marcadamente rural, embora em progressiva ligação às indústrias e serviços da região. A população cresceu de forma regular entre o século XIX e finais do século XX, refletindo essa evolução económica.

Fajões na atualidade

Hoje, Fajões é uma freguesia essencialmente residencial e semi‑industrial, com cerca de 3 000 habitantes no início do século XXI. Mantém traços rurais, paisagens verdes e uma malha de lugares e quintas que recordam o passado agrícola.

A freguesia dispõe de equipamentos modernos, como a Escola Básica e Secundária de Fajões, associações culturais e desportivas, e serviços que servem não só a população local, mas também freguesias vizinhas. Ao mesmo tempo, preserva património religioso e tradições, como a devoção a São Martinho, que continuam a marcar o calendário e a identidade da comunidade.

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